A realização de ressonância magnética (RM) pré-operatória no câncer de mama inicial sempre gerou debate. Embora seja um exame mais sensível para avaliar a mama, ainda existe a dúvida: seu uso rotineiro realmente melhora os desfechos clínicos?
O estudo Alliance A011104/ACRIN 6694, apresentado no San Antonio Breast Cancer Symposium, trouxe novos dados sobre esse tema ao investigar se a RM antes da cirurgia reduz o risco de recorrência locorregional, um dos principais indicadores de controle da doença após o tratamento.
Como o estudo foi conduzido
Trata-se de um estudo multicêntrico que avaliou mulheres com câncer de mama inicial triplo negativo ou HER2 positivo, submetidas à cirurgia conservadora seguida de radioterapia.
As pacientes foram divididas em dois grupos:
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aquelas que realizaram RM pré-operatória
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aquelas avaliadas apenas com exames convencionais, como mamografia e ultrassonografia
O objetivo foi analisar se a RM influenciava a taxa de recidiva local e regional ao longo do seguimento. Isso é relevante porque a maior sensibilidade da RM pode levar à detecção de áreas adicionais suspeitas e, consequentemente, à ampliação da cirurgia, incluindo aumento na indicação de mastectomia.
Quais foram os resultados?
Os dados mostraram que a RM pré-operatória não reduziu significativamente o risco de recorrência locorregional quando comparada ao estadiamento convencional.
Mesmo com maior detecção de lesões e eventuais mudanças no planejamento cirúrgico, não houve melhora no controle da doença. As taxas de recidiva foram baixas em ambos os grupos, reforçando que a cirurgia conservadora associada à radioterapia, quando bem indicada, permanece altamente eficaz.
O que isso significa na prática?
O estudo reforça que a RM pré-operatória não deve ser utilizada de forma rotineira para todas as pacientes com câncer de mama inicial.
Seu uso deve ser seletivo e individualizado, especialmente em situações específicas como:
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discrepância entre exames
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carcinoma lobular
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mamas muito densas
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presença de próteses mamárias
Fora desses contextos, os dados indicam que o uso indiscriminado da RM não melhora o controle local da doença e pode levar a cirurgias mais extensas sem benefício comprovado.
A decisão deve sempre considerar o perfil biológico do tumor, as características da paciente e a discussão com a equipe especializada, buscando equilíbrio entre precisão diagnóstica e preservação da qualidade de vida.


