A mastectomia redutora de risco com preservação do complexo aréolo-mamilar, conhecida como nipple-sparing mastectomy (NSM), tem sido cada vez mais discutida como uma alternativa para mulheres com predisposição genética ao câncer de mama.
Um estudo multicêntrico brasileiro recente analisou de forma ampla os desfechos oncológicos e cirúrgicos dessa técnica em mulheres portadoras de variantes germinativas patogênicas. O objetivo foi avaliar se a preservação da aréola e do mamilo mantém segurança oncológica adequada, além de verificar taxas de complicação e impacto estético e psicossocial.
Uma das maiores séries brasileiras sobre o tema
A pesquisa incluiu 524 mulheres operadas entre 2009 e 2023 em diferentes centros no Brasil.
As pacientes foram divididas em dois grupos principais:
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219 mulheres submetidas à mastectomia profilática bilateral
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305 mulheres submetidas à mastectomia terapêutica em uma mama com cirurgia profilática contralateral
No total, mais de 700 mastectomias profiláticas foram avaliadas.
Entre as alterações genéticas identificadas, destacaram-se principalmente mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, seguidas por variantes em TP53, PALB2, CHEK2, ATM, entre outras.
Essa diversidade genética permitiu analisar resultados não apenas em genes de alto risco, mas também em genes de risco moderado, algo ainda pouco explorado em estudos anteriores.
Baixa taxa de complicações cirúrgicas
Os resultados cirúrgicos demonstraram baixa incidência de complicações, incluindo:
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baixa taxa de necrose do complexo aréolo-mamilar
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baixa necessidade de reoperações
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bom processo de recuperação pós-operatória
Além disso, a avaliação estética realizada com instrumentos padronizados mostrou alto nível de satisfação corporal e cosmética entre as pacientes.
Esse aspecto é particularmente relevante, considerando que muitas mulheres portadoras de mutações genéticas são jovens e apresentam vida social e profissional ativa, tornando a preservação da imagem corporal um fator importante na tomada de decisão.
Segurança oncológica confirmada
Do ponto de vista oncológico, os resultados foram considerados robustos e encorajadores.
Os casos de câncer de mama subsequente nas pacientes submetidas à mastectomia profilática bilateral ou nas pacientes que realizaram cirurgia contralateral foram raros, confirmando um risco extremamente baixo após a cirurgia.
Esses dados reforçam que a mastectomia preservadora do complexo aréolo-mamilar pode ser uma estratégia segura, inclusive para mulheres portadoras de genes associados a alto risco, como o BRCA1.
Equilíbrio entre segurança, estética e qualidade de vida
Os achados deste estudo brasileiro reforçam que a mastectomia redutora de risco com preservação do complexo aréolo-mamilar pode oferecer um equilíbrio importante entre:
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proteção oncológica significativa
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preservação da imagem corporal
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bons resultados estéticos
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baixas taxas de complicação
Além de ampliar a evidência científica disponível, os resultados contribuem diretamente para o aconselhamento de mulheres portadoras de mutações genéticas, ajudando na tomada de decisão sobre estratégias de redução de risco para câncer de mama.


