Novos estudos apresentados em um dos maiores congressos de câncer de mama do mundo, o San Antonio Breast Cancer Symposium, trouxeram resultados animadores sobre a possibilidade de realizar cirurgias menos agressivas em alguns casos de câncer de mama inicial. Essas pesquisas mostram que, em mulheres com tumores pequenos e sem sinais de doença nos gânglios da axila, pode ser seguro evitar procedimentos mais extensos, sem aumentar o risco de a doença voltar.
O estudo INSEMA acompanhou milhares de mulheres com câncer de mama inicial que não tinham sinais de linfonodos comprometidos pela doença. Ele comparou duas estratégias: realizar a biópsia do linfonodo sentinela (um procedimento usado para avaliar a axila) ou simplesmente não fazê-la. Os resultados mostraram que, para pacientes de baixo risco, pular essa etapa não aumentou o risco de recorrência do câncer, especialmente quando o tratamento incluiu cirurgia conservadora e radioterapia da mama. Isso significa que, em situações bem selecionadas, o exame dos linfonodos pode não ser necessário, evitando inchaço do braço, dor e desconforto. Este dado foi apresentado ha 1 ano em San Antonio. Em 2025, uma nova etapa do estudo INSEMA avaliou a necessidade da dissecção axilar naquelas pessoas com linfonodo sentinela positivo, demonstrando que não houve impacto na segurança em aumentar o tamanho da cirurgia na axila.
Outro estudo importante, o BOOG 13-08, reforçou essa mesma ideia. Ele também comparou mulheres que fizeram a biópsia do linfonodo sentinela com mulheres que não realizaram o procedimento. Após vários anos de acompanhamento, as taxas de controle da doença foram muito parecidas nos dois grupos. Ou seja, não fazer a biópsia em casos de baixo risco não aumentou o risco de o câncer voltar na axila.
Esses resultados não significam que todos os casos dispensam a avaliação dos linfonodos — mas mostram que, para tumores pequenos, sem sinais de comprometimento axilar e com indicação de radioterapia, é possível pensar em uma cirurgia menos invasiva e com menos efeitos colaterais. Isso representa uma mudança importante: além de tratar bem o câncer, buscamos também preservar a qualidade de vida da mulher — reduzindo dor, inchaço, risco de linfedema e necessidade de cirurgias maiores.
Em resumo, os estudos INSEMA e BOOG mostram que fazer menos nem sempre significa tratar menos. Em alguns casos, significa tratar com segurança, mantendo a eficácia e evitando sofrimentos desnecessários. A decisão deve sempre ser individualizada, em conversa com o mastologista e a equipe de oncologia, considerando o perfil do tumor e as características de cada paciente.


