Cirurgia ainda imprescindível no tratamento do Câncer de Mama

Com a maior eficácia dos tratamentos sistêmicos (quimioterapia e terapia alvo) estuda-se a possibilidade de eliminar a cirurgia no tratamento do câncer de mama em pacientes selecionadas, mas os estudos apresentados, até o momento, não demonstraram segurança suficiente para excluir a cirurgia.

A cirurgia do câncer de mama ainda é imprescindível

Alguns tipos de câncer de mama apresentam uma ótima resposta ao tratamento sistêmico neoadjuvante (quimioterapia e tratamento alvo antes da cirurgia). Este fato levantou a hipótese de, em pacientes altamente selecionadas, ser possível evitar o tratamento cirúrgico, realizando somente radioterapia sobre a mama após a obtenção de uma excelente resposta.

A dificuldade desta tentativa (evitar a cirurgia) sempre foi a baixa eficácia dos exames de imagem em correlacionar resposta radiológica (ausência de lesão nos exames de imagem) com resposta patológica (ausência de lesão na mama).

Os exames não visualizavam mais lesão porém a doença ainda estava presente quando a paciente era operada. Com a melhoria das técnicas de imagem (com a adição da ressonância magnética à mamografia digital) e das novas técnicas de biópsia percutânea (mamotomia), a possibilidade de melhorar a eficácia da identificação de resposta patológica, sem a necessidade da cirurgia, voltou a interessar a comunidade científica.

Como a identificação de lesão residual após tratamento neoadjuvante (sobrar tumor após as medicações) é muito importante, pois define quais mulheres precisam de tratamento complementar, as técnicas de imagem e de biópsia devem ser muito efetivas.

Estudos apresentados no Simpósio de San Antonio, em Dezembro de 2019, demonstraram que as taxas de falso-negativo (exames demonstraram que não havia lesão, mas na cirurgia ela foi encontrada) foram elevadas.

A conclusão da análise de vários estudos foi que, até o momento, não há exame com eficácia suficiente para evitar a necessidade de cirurgia mamária em pacientes com câncer de mama, mesmo após uma ótima resposta à terapia neoadjuvante.

Em outras palavras, a CIRURGIA continua IMPRESCINDÍVEL!!!

Autores:

Compartilhar