Câncer de mama em transsexuais

A população transgênera brasileira é estimada em cerca de 700 mil a 1,3 milhão de pessoas (0,3% a 0,9% da população). Estas pessoas fazem uso de grande quantidade de hormônios para a mudança de gênero, o que pode interferir no risco de câncer de mama.

Câncer de mama em transsexuais

Existem poucos estudos sobre isso e também poucos relatos de casos de câncer de mama. Mas, vale lembrar que grande parte desta população ainda tem menos de 50 anos, pois os tratamentos para mudança de gênero só começaram a ser aceitos e liberados pouco tempo atrás.

Além disso, grande parte desta população apresenta expectativa de vida menor que a população geral, seja por dificuldades econômicas, maior incidência de algumas doenças, menor acesso ao sistema de saúde ou maior risco de violência.

O câncer de mama é mais frequente por volta de 50 e 60 anos de idade. Ou seja, a maioria da população transgênero ainda não está na faixa etária de risco. Talvez esta seja a explicação para os poucos casos de câncer de mama descritos neste grupo até o momento.

As principais características dos transgêneros que influenciam o risco de câncer de mama são:

  1. Mulheres transgênero – uso de hormônios femininos (estrogênio ou progesterona) com ou sem bloqueadores de androgênios. O uso de hormônios femininos aumenta o risco de câncer de mama. Isto já foi demonstrado em estudos de terapia de reposição hormonal em mulheres cisgênero. Vale lembrar que a terapia nas mulheres transgênero envolve maiores quantidades de hormônio e tempo muito mais prolongado.
  2. Homens transgênero – uso de hormônios masculinos (testosterona). Apesar de poucos estudos sobre o assunto, acredita-se que o uso de hormônios masculinos aumenta o risco de câncer de mama por alguns motivos: parte destes hormônios é convertida em hormônios femininos e alguns tumores podem ter receptores de androgênio.
  3. Homens transgênero – mastectomia masculinizadora. A retirada das mamas diminui o risco de câncer de mama, conforme já foi demonstrado em estudos com mulheres de alto risco. Estima-se que esta redução seja de 80% a 90% no risco vitalício.

Quando se fala em risco na população transgênero, vale citar o risco na população cisgênero. As mulheres têm cerca de 12% de risco vitalício e os homens apenas 0,1%.

Existem apenas 2 grandes estudos sobre a população transgênero, ambos com cerca de 3 mil a 5 mil pessoas acompanhadas por cerca de 10 anos.

Apesar das limitações destes estudos, nota-se a seguinte tendência:

  1. Mulheres transgênero – têm cerca de 2% a 3% de risco vitalício de câncer de mama. Isso é bem maior que os homens cisgênero e menor que as mulheres cisgênero.
  2. Homens transgênero – têm cerca de 2% de risco vitalício de câncer de mama. Novamente menor que mulheres cisgênero e maior que homens cisgênero.

As recomendações sobre rastreamento mamográfico nas mulheres transgênero são bastante controversas, mas a Sociedade Americana de Radiologia defende que os exames seja feitos da mesma forma que as mulheres cisgênero.

Já os homens transgênero que fizeram mastectomia não precisam de mamografia, mas o exame clínico das mamas é aconselhado, principalmente naquelas pessoas com história familiar de câncer de mama ou ovário.

O diagnóstico e o tratamento do câncer de mama são semelhantes à população cisgênero. As chances de cura também são semelhantes.

Em resumo, acredita-se que apesar de algumas particularidades, a prevenção e o tratamento do câncer de mama na população transgênero deve seguir as mesmas diretrizes do restante da população, permitindo acesso e saúde a todos.

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