Cirurgia Robótica do Câncer de Mama.

A cirurgia robótica já é uma realidade para algumas doenças, tais como câncer de próstata. Existem relatos promissores em outras cirurgias abdominais e também torácicas, demonstrando vantagens da cirurgia robótica.

CIRURGIA ROBÓTICA DO CÂNCER DE MAMA

No início de fevereiro de 2019 surgiu na mídia a notícia sobre a primeira cirurgia robótica realizada para o tratamento do câncer de mama no Brasil. Esta notícia causou impacto na população sobre o futuro da cirurgia mamária.

A cirurgia robótica já é uma realidade para algumas doenças, tais como câncer de próstata. Existem relatos promissores em outras cirurgias abdominais e também torácicas, demonstrando vantagens da cirurgia robótica.

Os primeiros relatos de uso de robô para o tratamento do câncer de mama surgiram em 2017, no Instituto Europeu de Oncologia, em Milão, Itália.

Conversamos com um dos autores desta publicação pioneira, o Dr. Nickolas Peradze, que deu as seguintes opiniões:

CMB – Qual a sua opinião sobre a cirurgia robótica no tratamento do câncer de mama?

Nickolas Peradze – Acredito que no futuro a cirurgia robótica será realidade para todos os tipos de cirurgia, inclusive aquelas de mama.

CMB – Qual a sua experiência com a cirurgia robótica no tratamento do câncer de mama?

Nickolas Peradze – Fizemos o primeiro relato na literatura médica em 2017 e desde então já fizemos 100 cirurgias. Os procedimentos realizados foram mastectomias preservadoras de pele, aréola e papila (nipple-sparing) em pacientes que infelizmente tinham necessidade de retirada da mama.

CMB – Como era feita a cirurgia?

Nickolas Peradze – Fazíamos uma incisão na axila com cerca de 2 a 3 cm e realizávamos o início da cirurgia com a técnica manual. Após a liberação da parte superior lateral da mama, era colocado uma espécie de válvula, chamada de trocarte, na incisão. Esta válvula permitia a insuflação de ar na loja cirúrgica, criando espaço para que o robô pudesse trabalhar. Os braços robóticos também entravam por este trocarte e sob visão de uma câmera realizavam a cirurgia. Após a retirada da glândula mamária, os braços robóticos preparavam o espaço para a colocação da prótese. Porém, a prótese era inserida manualmente pela incisão na axila.

CMB – Algumas pessoas entenderam que é o robô que opera o paciente. É isto mesmo?

Nickolas Peradze – Não, quem opera é o médico, que controla o robô dentro da sala de cirurgia. O cérebro humano é indispensável, mas os braços robóticos podem chegar a locais que as mãos humanas não conseguem.

CMB – Todas as pacientes com câncer de mama podem fazer a cirurgia robótica?

Nickolas Peradze – Por enquanto as pacientes foram muito selecionadas. As cirurgias foram realizadas apenas em casos de pacientes magras e com mamas pequenas.

CMB – Quais foram os resultados das cirurgias que vocês fizeram?

Nickolas Peradze – Após a curva de aprendizado inicial, o tempo cirúrgico foi pouca coisa maior que a cirurgia convencional. Em termos de tratamento do câncer, os resultados foram iguais ao tratamento convencional.

CMB – O que você acha que acontecerá no futuro?

Nickolas Peradze – As tecnologias ficarão melhores e mais acessíveis, com isto será possível criar máquinas adaptadas para a cirurgia da mama. Por enquanto ainda temos que adaptar a técnica com máquinas preparadas para outras cirurgias. Mas, acredito que no futuro existirão novas maquinas que permitirão grandes cirurgias com incisões muito pequenas.

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