CIRURGIA ROBÓTICA DO CÂNCER DE MAMA

Os médicos do Câncer de Mama Brasil conversam com um dos autores desta publicação pioneira. Confira!

No início de fevereiro de 2019 surgiu na mídia a notícia sobre a primeira cirurgia robótica realizada para o tratamento do câncer de mama no Brasil. Esta notícia causou impacto na população sobre o futuro da cirurgia mamária.

A cirurgia robótica já é uma realidade para algumas doenças, como é o caso do câncer de próstata. Existem relatos promissores em outras cirurgias abdominais e também torácicas, demonstrando vantagens da cirurgia robótica.

Os primeiros relatos de uso de robô para o tratamento do câncer de mama surgiram em 2015, no Instituto Europeu de Oncologia, em Milão, Itália.

Conversamos com um dos autores desta publicação pioneira, o Dr. Nickolas Peradze, que deu as seguintes opiniões:

CMB – Qual a sua opinião sobre a cirurgia robótica no tratamento do câncer de mama?

Nickolas Peradze – Acredito que no futuro a cirurgia robótica será realidade para todos os tipos de cirurgia, inclusive aquelas de mama.

CMB – Qual a sua experiência com a cirurgia robótica no tratamento do câncer de mama?

Nickolas Peradze – Fizemos o primeiro relato na literatura médica em 2017 e, desde então, já fizemos 100 cirurgias. Os procedimentos realizados foram mastectomias preservadoras de pele, aréola e papila (nipple-sparing) em pacientes que infelizmente tinham necessidade de retirada da mama.

CMB – Como era feita a cirurgia?

Nickolas Peradze – Fazíamos uma incisão na axila com cerca de 2 a 3 cm e realizávamos o início da cirurgia com a técnica manual. Após a liberação da parte superior lateral da mama, era colocado uma espécie de válvula, chamada de trocarte, na incisão. Esta válvula permitia a insuflação de ar na loja cirúrgica, criando espaço para que o robô pudesse trabalhar. Os braços robóticos também entravam por este trocarte e sob visão de uma câmera realizavam a cirurgia. Após a retirada da glândula mamária, os braços robóticos preparavam o espaço para a colocação da prótese. Porém, a prótese era inserida manualmente pela incisão na axila.

CMB – Algumas pessoas entenderam que é o robô que opera o paciente. É isto mesmo?

Nickolas Peradze – Não, quem opera é o médico, que controla o robô dentro da sala de cirurgia. O cérebro humano é indispensável, mas os braços robóticos podem chegar a locais que as mãos humanas não conseguem.

CMB – Todas as pacientes com câncer de mama podem fazer a cirurgia robótica?

Nickolas Peradze – Por enquanto as pacientes foram muito selecionadas. As cirurgias foram realizadas apenas em casos de pacientes magras e com mamas pequenas.

CMB – Quais foram os resultados das cirurgias que vocês fizeram?

Nickolas Peradze – Após a curva de aprendizado inicial, o tempo cirúrgico foi pouca coisa maior que a cirurgia convencional. Em termos de tratamento do câncer, os resultados foram iguais ao tratamento convencional.

CMB – O que você acha que acontecerá no futuro?

Nickolas Peradze – As tecnologias ficarão melhores e mais acessíveis, com isto será possível criar máquinas adaptadas para a cirurgia da mama. Por enquanto ainda temos que adaptar a técnica com máquinas preparadas para outras cirurgias. Mas, acredito que no futuro existirão novas maquinas que permitirão grandes cirurgias com incisões muito pequenas.

Dr. Nickolas Peradze

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