cirurgias para prevenção do câncer de mama

Indicadas para casos excepcionais em mulheres que apresentem alto risco para câncer de mama

Há duas cirurgias indicadas para reduzir o risco de câncer de mama: a salpingo-ooforectomia bilateral (retirada das trompas e dos ovários) e a mastectomia redutora de risco bilateral (retirada das mamas).
Essas cirurgias devem ser indicadas para casos excepcionais em mulheres que apresentem alto risco para desenvolvimento do câncer de mama.
As cirurgias de redução de risco foram por muito tempo conhecidas inadvertidamente como cirurgias profiláticas. O termo profilaxia sugere uma prevenção total, fato que não ocorre na prática, e deve ser evitado.
Quem deve fazer a cirurgia?
A indicação das cirurgias redutoras de risco para câncer de mama deve ser individualizada de acordo com o risco de cada paciente. Consideram-se pacientes de alto risco aquelas que têm mutação genética conhecida em um dos genes envolvidos na gênese do câncer de mama. Dentre estes, os mais comuns encontrados são os genes BRCa1 e BRCa2.
Além da mutação dos genes BRCa1 e BRCa2, alguns guidelines internacionais recomendam a realização da mastectomia redutora de risco para pacientes portadoras dos genes TP53, ATM, PTEN e PALB 2.
Já a salpingo-ooforectomia profilática é indicada para as mulheres com mutação dos genes menos diagnosticados frequentemente. A indicação deve ser sempre individualizada com o mastologista em conjunto com o geneticista. Nas pacientes que não apresentam mutação detectada em nenhum dos genes, é preciso que se individualize a história e o risco clínico.
A mastectomia redutora de risco pode reduzir o risco de desenvolvimento de câncer de mama em 90% dos casos, enquanto que a salpingo-ooforectomia reduz o risco em torno de 50%, se realizada antes dos 50 anos. Esta por sua vez, reduz também o risco de câncer de ovário.
Ao se considerar as cirurgias redutoras é importante discutir com o seu médico, os riscos imediatos e tardios associados aos procedimentos. A retirada dos ovários associa-se a menopausa e todos os seus sintomas. Já a retirada das mamas (mastectomia) deve sempre associar-se à reconstrução imediata com próteses e a um maior risco de complicações imediatas e tardias.
Dentre as complicações tardias, 1/3 das pacientes têm cirurgias não previstas para correções decorrentes do posicionamento das próteses ou outra insatisfação estética.
É importante frisar desde o início que não se trata de cirurgia estética da mama e, de forma alguma, deve ser proposta com esta finalidade. De modo geral, as técnicas de preservação de pele, aréola e mamilo e novos materiais utilizados na reconstrução de mama (matriz dérmica acelular e outros) têm conseguido elevados graus de satisfação entre as pacientes com menores taxas de complicações.
Nossa recomendação é de que, antes de decidir pelas cirurgias redutoras de risco, as pacientes devem se informar sobre seus riscos pessoais, familiares e genéticos. A decisão deve ser baseada no alto risco e ausência de outras formas passíveis de prevenção.
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