A multidisciplinaridade no tratamento do câncer de mama

Avanços se somam a uma grande sofisticação das técnicas de anatomia patológica que auxiliam hoje na estratégia do tratamento

A história do tratamento e cura do câncer de mama é marcada por grandes esforços e sacrifícios que levaram a avanços significativos na luta contra essa doença. No momento atual, ela se encontra numa etapa de enorme êxito para a grande maioria dos casos. Fruto de um esforço de equipe na qual diversas especialidades se superam e trabalham em sintonia para somar esforços como numa orquestra.

No início era uma doença eminentemente cirúrgica, identificada e tratada pelo cirurgião que só tinha operações radicais para oferecer. Depois foram desenvolvidos métodos de imagem que introduziram o conceito de diagnóstico precoce e seus benefícios imediatos como o tratamento menos agressivo e taxas maiores de cura. Paralelamente vieram os tratamentos medicamentosos sistêmicos (quimioterapia). Eles inicialmente eram muito agressivos, com muitos efeitos colaterais mas tiveram sua agressividade um pouco reduzida e sua eficácia significativamente ampliada. Da mesma forma, as técnicas e a tecnologia dos equipamentos de radioterapia tornaram esse tratamento adjuvante num procedimento mais preciso e eficaz com menores efeitos colaterais, o que permitiu cirurgias menos agressivas e assim mamas mais conservadas nos tumores iniciais. Atualmente, esses avanços se somaram a uma grande sofisticação das técnicas de anatomia patológica que hoje tem papel central na classificação dos tumores, utilizando técnicas de biologia molecular, o que auxilia na determinação da estratégia do tratamento.

Paralelamente, técnicas auxiliares vêm aparecendo para apoiar e sustentar as pacientes com respeito aos efeitos adversos do tratamento. A psico-oncologia com seu suporte em todas as fases do processo, a fisioterapia na re-habilitação, as técnicas de confecção de perucas e a touca hipotérmica para prevenção da alopecia. Além disso, toda equipe de enfermagem que proporciona um inestimável suporte em todas essas etapas.

Como consequência desse processo de evolução e aperfeiçoamento, o mastologista não é mais como aquele cirurgião isolado da primeira metade do século XX. Hoje ele é o condutor de uma enorme equipe multidiciplinar que trabalha em sinergia para vencer o câncer de mama. O ginecologista e o mastologista estimulam e encaminham as mulheres para o radiologista operar os exames de imagem rastreando a população para o mais precoce possível identificar os sinais do início da doença. Uma vez identificado o mesmo radiologista realiza o procedimento de obtenção de uma amostra do material da lesão (biópsia). Entra em cena o patologista que irá definir a natureza do material e caso seja realmente um câncer, irá classifica-lo com métodos moleculares sofisticados. De volta ao mastologista as informações clínicas, da radiologia e da biópsia (anatomopatrológico) irão orientar a estratégia de tratamento. Em síntese elas irão orientar o tipo de cirurgia, a necessidade e sequência dos tratamentos complementares (quimioterapia, hormonioterapia, imunoterapia, radioterapia). Esses tratamentos adjuvantes serão realizados antes ou após a cirurgia pelo oncologista clínico e radioterapêuta, sempre em contato e sintonia com o mastologista. Portanto, um grande grupo de profissionais altamente qualificados interagem em harmonia para oferecer os tratamentos mais eficazes, minimizando os efeitos colaterais e assim vencer, na grande maioria das vezes, essa doença tão prevalente hoje em nosso meio. Um belo exercício de multidiciplinaridade.

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