Atezolizumabe

O ATEZOLIZUMABE é uma medicação da classe dos imunoterápicos, que estimulam o sistema imune a combater as células do câncer. Atualmente é utilizada para tratamento do câncer de mama mais agressivo, o triplo negativo, quando já está espalhado pelo corpo, isto é, com metástases. É a primeira imunoterapia contra o câncer de mama aprovada no Brasil.

ATEZOLIZUMABE

O que é ATEZOLIZUMABE?
O ATEZOLIZUMABE é um anticorpo monoclonal que se liga ao PDL-1, uma molécula reguladora que controla a atividade do sistema imunológico. Ela está presente na superfície das células tumorais e em algumas células imunes que infiltram o tumor. O linfócito, que é o soldado mais importante do sistema imune, quando ele tenta matar a célula cancerosa e encontra o PDL-1 na superfície da célula cancerosa, fica paralisado e não consegue mais matar a célula cancerosa. Quando o ATEZOLIZUMABE se liga a essa molécula, ele evita que ocorra este efeito paralisante no linfócito, que passa então a atacar e destruir as células do câncer. Esse tipo de tratamento é chamado de imunoterapia.

Quais os nomes comerciais e formas de aplicação do ATEZOLIZUMABE?
O ATEZOLIZUMABE pode ser encontrado sob nome comercial TECENTRIQ®. A medicação é administrada pela via endovenosa, sob supervisão de um profissional de saúde qualificado em centros oncológicos especializados.

Quais são as indicações do ATEZOLIZUMABE?
O ATEZOLIZUMABE é indicado para tratamento do câncer de mama triplo negativo (isto é que não tem receptores de estrógeno, progesterona ou a proteína HER-2) metastático. O ATEZOLIZUMABE é utilizado em associação com uma quimioterapia chamada nab-paclitaxel quando as células imunes que infiltram o tumor apresentam expressão da molécula PD-L1 em pelo menos 1% das células. Esta avaliação é realizada por um método denominado imuno-histoquímica. Tumores que não apresentam expressão dessa molécula, não tem indicação para tratamento com ATEZOLIZUMABE, devido seu menor benefício.
O ATEZOLIZUMABE não deve ser utilizado em pacientes com doença autoimune, doenças virais crônicas, como hepatite B ou C e HIV, ou em uso de glicocorticoides ou medicações imunossupressoras, que reduzem a atividade do sistema imunológico.

Quais são os principais efeitos colaterais do ATEZOLIZUMABE?
O ATEZOLIZUMABE apresenta efeitos colaterais denominados eventos imuno-mediados, uma vez que o sistema imunológico hiperestimulado também pode atacar outras partes do organismo. Os eventos mais comuns são diarreia, cansaço, redução do apetite, falta de ar, dores nas juntas e erupções cutâneas (semelhante a uma alergia) e coceira.
Os efeitos colaterais que podem ser graves, porém menos frequentes, são alterações na glândula tireoide (hipo ou hipertireoidismo), na glândula hipófise (hipofisite), diabetes melitus, hepatite (inflamação do fígado), pneumonite (inflamação no pulmão), pancreatite (inflamação do pâncreas), e alterações neurológicas (encefalite, meningite, miastenia graves). Em caso de efeitos colaterais graves, deve-se suspender o tratamento e iniciar o uso de corticoesteroides, que reduzem a atividade do sistema imunológico e, desse modo, controlam os eventos adversos imuno-mediados. O tratamento pode ser reiniciado após melhora dos sintomas, a depender da gravidade.
É recomendado realizar avaliação clínica e exames laboratoriais de rotina, incluindo avaliação de função hepática e tireoidiana, antes e periodicamente durante o tratamento.

CONCLUSÃO: o ATEZOLIZUMABE é uma medicação utilizada em associação com a quimioterapia para tratamento do câncer de mama triplo negativo metastático. Sua ação é baseada na imunoterapia, cujo mecanismo é estimular o sistema imunológico a atacar e destruir as células do câncer. Devido a possíveis eventos adversos imuno-mediados, é recomendado avaliação clínica periódica com exames laboratoriais e seu uso só deve ser feito após prescrição médica.


Autores:

Dra. Daniella Audi – CRMSP 169558
Fellow de Oncologia Clínica do Centro de Oncologia da BP, a Beneficência Portuguesa de São Paulo

Dr. Antonio Carlos Buzaid – CRMSP 45405
Diretor Médico Geral do Centro de Oncologia da BP, Membro do Comitê Gestor do Centro de Oncologia do Hospital Israelita Albert Einstein

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