Como reduzir o risco de câncer de mama?

Cultivar hábitos de vida saudáveis contribui para reduzir o risco do câncer e de inúmeras outras doenças

O risco de câncer de mama é influenciado por muitos fatores. Entre eles estão os fatores comportamentais. Esses são fatores passíveis de modificação que podemos utilizar para recomendar hábitos e atitudes que resultem na redução do risco de câncer de mama.

A fisiologia do corpo humano envolve milhares de reações químicas e bioquímicas integradas no nosso metabolismo. Algumas dessas reações pode favorecer ou desfavorecer o aparecimento de certos tipos de cânceres.

Portanto, o metabolismo dos hormônios, de alguns nutrientes como carboidratos, proteínas e vitaminas podem influenciar o risco da doença. Entre elas estão a glicose, a insulina os hormônios sexuais (estrogênio e progesterona), entre outros.

Dentre os fatores comportamentais destacamos o consumo de álcool, a composição corporal (obesidade), a prática de atividade física, tabagismo, uso de hormônios esteroides. O consumo de álcool, mesmo moderado (1 drink ao dia) pode aumentar o risco de câncer de mama. Esse risco é diretamente proporcional à quantidade ingerida.

A obesidade acarreta uma série de alterações no metabolismo da glicose, da insulina, dos hormônios esteroides, das imunoglobulinas do sistema imunológico e das substâncias relacionadas a inflamação. Todas essas alterações favorecem ao aparecimento de mutações genéticas que podem levar ao aparecimento de tumores.

Uma mulher com índice de massa corporal (IMC) acima de 31,1 tem 2,5 vezes mais chance de desenvolver o câncer de mama que uma mulher com IMC abaixo de 22,6. Após a menopausa o estrogênio passa a ser produzido pele tecido gorduroso. Dessa forma, mulheres obesas têm níveis mais elevados de estrogênios o que aumenta o risco.

A atividade física por sua vez reduz o risco por causar alterações benéficas no nosso metabolismo nos mesmos mecanismos citados acima. De intensidade moderada e frequente, a atividade física reduz os níveis de glicose, insulina, hormônios esteroides, proteínas de crescimento celular e substâncias da inflamação e aumenta a atividade do sistema imunológico. Todas essas alterações reduzem a possibilidade de mutações genéticas e reduzem o risco de câncer.

A redução do risco é proporcional à frequência e intensidade da atividade física. A Organização mundial de saúde recomenda que deveríamos fazer no mínimo 150 minutos de atividade física semanal. Notem que esse parâmetro é o mínimo recomendável, o melhor é fazer bem acima de 150 minutos por semana.

O tabagismo foi relacionado a aumento do risco de câncer de mama somente mais recentemente. Há alguns anos essa relação não estava comprovada.

Estudos atuais indicam que existe um pequeno aumento de risco, notadamente em pacientes jovens, mas mesmo após a menopausa o tabagismo também aumenta o risco. O uso de reposição hormonal na pós menopausa também se relaciona com aumento de risco para câncer de mama. Estudos de grande porte e bastante confiáveis estabeleceram essa relação há muitos anos.

Existem dois tipos de reposição hormonal: uma para as mulheres que retiraram o útero (cirurgia de histerectomia) composta apenas de estrogênios; e outra para as mulheres que não tiraram o útero composta por estrogênio e progesterona.

Apenas a reposição hormonal composta pela combinação de estrogênio e progesterona aumenta o risco de câncer de mama. E isso só ocorre após o 4° ano de uso. O aumento de risco é de pequena magnitude mas é real.

Em resumo, cultivar hábitos de vida saudáveis contribui para reduzir o risco de câncer de mama e de câncer no geral, além de inúmeras outras doenças. A recomendação portanto é que se cultive o hábito de fazer atividades físicas regulares (não menos de 150 minutos por semana), alimentar de forma saudável, controlar o peso, não fumar ou parar de fumar, evitar bebidas alcoólicas ou reduzir seu consumo e se possível evitar a reposição hormonal combinada (estrogênio e progesterona).

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