Medidas para reduzir o risco de câncer de mama

Controlar o peso, principalmente após a menopausa, e evitar o consumo exagerado de álcool estão entre as principais

A maioria dos fatores que podem desencadear em câncer de mama é ligado à genética e não pode ser modificado. Mas existem outras medidas que ajudam a reduzir o risco. As principais são: controlar o peso, principalmente após a menopausa e evitar o consumo exagerado de álcool.

Vale lembrar que, apesar do medo que o câncer de mama causa na população, a maior causa de mortes em mulheres no mundo (inclusive no Brasil) são as doenças cardiovasculares e complicações de diabetes ou hipertensão. Portanto, o foco na saúde deve ser encarado de forma global e não focado apenas em câncer de mama.

  • Controle do peso

As mulheres com peso elevado apresentam maior risco para câncer de mama, especialmente após a menopausa. Isto ocorre principalmente devido à presença de uma substância nas células gordurosas conhecida como Aromatase. Esta enzima transforma os hormônios masculinos produzidos principalmente na glândula supra-renal em hormônios femininos (androstenidiona convertida em estrona).

Sendo assim, as mulheres com peso elevado apresentam níveis de hormônio feminino maiores e isto significa um fator de risco para o surgimento do câncer de mama. Além disso, as mulheres que já tiveram a doença também têm chances de cura menores se estiverem obesas. Estima-se que para cada aumento de 1 ponto no índice de massa corpórea, existe o aumento de 1 ponto no risco relativo de ter recorrência da doença.

Portanto, a principal recomendação para as mulheres sobre a redução do risco do câncer de mama é o controle do peso. A dieta e o exercício físico apresentam resultados positivos no controle doença, pois geralmente estão relacionados à perda de peso. Aparentemente, a dieta ou exercício físico que não se acompanham da perda de peso não diminuem o risco de câncer de mama.

Alguns estudos relacionaram a ingestão de soja com a diminuição do câncer de mama, porém são pesquisas limitadas e que se restringem a grupos populacionais bastante específicos (população rural japonesa). Não é possível afirmar que a ingestão de soja na vida adulta apresente proteção efetiva em mulheres adultas no hemisfério ocidental. Também não é possível afirmar que a dieta rica em gorduras ou carnes vermelhas aumente o risco de câncer de mama, mas em geral estas dietas são desestimuladas, pois pioram doenças cardiovasculares e podem aumentar o risco do câncer de mama de forma indireta por conta do aumento de peso.

  • Ingestão de álcool

Algumas pesquisas mostraram que o consumo diário de álcool, mesmo em pequenas quantidades, pode aumentar o risco de câncer de mama. Estes estudos têm várias limitações, pois as populações avaliadas que apresentavam este hábito geralmente estão em locais urbanizados do sul da Europa. Obviamente, estas pessoas têm outros aspectos que aumentam o risco de câncer de mama, tais como a baixa taxa de gestações e a longevidade.

O consumo de 1 taça de vinho ao dia aumenta muito pouco o risco de câncer de mama e apresenta benefício na redução de doenças cardiovasculares, portanto está recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Já o consumo diário de maiores quantidades ou outras bebidas não deve ser estimulado, pois apresentam riscos para câncer de mama ou outras doenças.

  • Uso de medicações hormonais

O uso de hormônios de origem sexual pode aumentar o risco de câncer de mama. Estes hormônios são femininos (estrógeno e progesterona) ou masculinos (androstenidiona e testosterona). O uso de hormônios femininos ocorre na maioria dos anticoncepcionais e nas terapias de reposição hormonal da menopausa. Os anticoncepcionais hormonais sempre foram considerados seguros, porém um estudo dinamarquês, publicado no fim de 2017, relacionou o uso destas medicações com pequeno aumento de câncer de mama. Nesta pesquisa, o aumento foi proporcional ao tempo de uso da medicação.

Entretanto, a anticoncepção hormonal apresenta inúmeros outros benefícios e não deve ser suspensa apenas por esta informação. De modo geral, o aumento de risco é bastante pequeno, inclusive menor do que o aumento de peso após a menopausa. Já aquelas mulheres com fatores de risco elevados para câncer de mama (ou com câncer pregresso) devem procurar alternativas não hormonais para a prevenção de gravidez (métodos naturais, preservativos ou DIU de cobre).

A terapia hormonal da menopausa também pode aumentar o risco de câncer de mama. No início da década de 2000, o estudo conhecido por WHI demonstrou um pequeno aumento do risco de câncer de mama para mulheres que usaram estrógeno e progesterona por via oral. Já aquelas que utilizaram apenas estrogênio não apresentaram aumento de risco.

Apesar do pequeno aumento, esta pesquisa causou grande celeuma e diminuiu drasticamente as prescrições desta terapia. No entanto, vale lembrar que para a maioria das mulheres a terapia hormonal é bastante segura e deve ser usada nas mulheres sintomáticas. Obviamente, é recomendado evitar o uso desnecessário ou por períodos prolongados. As vias não orais também são aparentemente mais seguras.

Já para os hormônios masculinos, as indicações de medicações são restritas a mulheres com deficiência comprovada destas substâncias e sempre devem ser supervisionadas por médicos especializados. Infelizmente, é possível notar um aumento indiscriminado do uso de hormônios masculinos, principalmente para fins estéticos e prescritos por profissionais pouco capacitados. Esta prática é desaconselhada, pois pode causar inúmeros problemas para a saúde, inclusive aumento de câncer de mama.

Manter hábitos de vida saudáveis e a supervisão médica adequada regularmente colabora para a prevenção das doenças em geral, inclusive o câncer de mama.

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