reconstrução com implantes e indicação de radioterapia

Como ocorre e quais são os riscos dessa cirurgia

A radioterapia não é uma contra-indicação absoluta para a reconstrução imediata com implantes. É possível que a mama reconstruída de mulheres que realizam a radioterapia apresente maior chance de complicações, perda da reconstrução e resultado estético desfavorável. No entanto, estudos recentes mostram que a grande maioria destas mulheres permanece com suas reconstruções e estão satisfeitas com o resultado.

Um dos maiores desafios da reconstrução mamária é quando há indicação de radioterapia. Isso porque nesta situação, há risco de complicação e com o resultado estético, assim como a simetria entre as duas mamas. A radioterapia no implante pode causar a chamada contratura capsular, um tipo de reação no tecido que deixa o implante mais firme, distorcendo e elevando a mama reconstruída, podendo causar dor e exposição dos implantes.

A simetrização com a outra mama será difícil, já que há uma dificuldade natural em fazer a simetria de uma mama reconstruída com prótese e irradiada com uma mama com tecido natural que tende a ter ptose (cair) com o tempo. É muito comum a paciente realizar mais de uma cirurgia na outra mama para simetrização e mesmo assim a assimetria persistir.

Nos últimos anos, muitas mulheres têm optado por realizar a mastectomia contralateral com reconstrução para facilitar a simetria, pois a técnica diminui esses efeitos. O tipo de mastectomia realizada também pode maximizar o resultado, assim como a preservação de pele e do complexo aréolo-mamilar.

O que esperar após uma cirurgia reparadora com implantes

A reconstrução com implantes costuma ser uma cirurgia segura, com baixas taxas de complicações operatórias. A assimetria é o grande desafio, bem como a contratura capsular (reação do tecido que pode ocasionar a formação de uma cápsula ao redor do implante), especialmente com radioterapia. Recentemente, houve relatos da associação de linfomas com próteses, entretanto esta associação ainda não está clara e é muito incomum.

Imediatamente após a cirurgia

Logo após a cirurgia, é indicado que a paciente acorde com um sutiã cirúrgico adquirido previamente. Geralmente, os drenos (tubos que são colocados para drenar fluidos da cirurgia) permanecerão por 7 a 10 dias em média após a cirurgia. Se estiver com um expansor, normalmente a expansão já pode ser iniciada, desde que as cicatrizes estejam fechadas. Exercícios controlados serão orientados se o expansor for utilizado, enquanto uma maior cautela será necessária para usar o implante definitivo imediato. A recuperação após a reconstrução com implantes será entre 4 a 6 semanas.

Complicações da cirurgia com implantes

A contratura capsular é uma complicação comum em mulheres que têm implantes, seja por motivo reparador ou estético. Após a colocação da prótese, pode ocorrer uma espécie de reação do tecido, ocasionando a formação de uma cápsula ao redor do implante. Estas cápsulas de tecido geralmente são suaves ou ligeiramente firmes, e não costumam ser perceptíveis. Porém, em alguns casos, a cápsula pode ser mais dura e firme, algumas dolorosas, podendo distorcer a forma da mama.

Implantes com uma superfície texturizada podem reduzir o risco de contratura capsular, em comparação aos implantes de superfície lisa. A radioterapia, realizada em alguns casos após a mastectomia, pode aumentar o risco de contratura. Caso ocorra uma contratura capsular, pode ser necessário romper a cápsula (capsulotomia) ou mesmo retirá-la (capsulectomia) e ainda, se necessário, substituir o implante.

Implantes e risco de linfoma anaplásico de grande células

Há alguns anos, foi identificada uma possível ligação entre implantes mamários e uma forma muito rara de linfoma: o anaplásico de grandes células, através de um estudo com 34 mulheres diagnosticadas com linfoma em mamas com implantes.

Este linfoma se desenvolve no tecido perto do implante, normalmente na cápsula, um tipo de tecido formado ao redor do implante. É importante frisar que, ainda que exista o link entre implantes e linfoma de mama, o risco é extremamente baixo. Atualmente, os implantes mamários mais utilizados no Brasil são seguros e aprovados pela FDA, órgão regulatório americano. A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) esclareceu, em nota, que, com base nos dados de conhecimento global de estudos analisados, não há riscos oncológicos ou em relação a outras doenças provocadas pelas próteses mamárias. A SBM orientou que não é preciso qualquer mudança de postura ou intranquilidade por parte das pacientes portadoras de implantes mamários, sejam elas oriundas de cirurgias estéticas ou reconstrutoras. Essas pacientes devem apenas seguir com a realização de exame clínico mamário e exames de imagem regulares, e serem alertadas que esta é uma condição muito rara, para qual o seu cirurgião a estará monitorando.

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