Eliete Maria da Silva

Eu venci o Câncer de Mama!

Eliete Maria da Silva

Nós vencemos o câncer de câncer de Mama!

É sempre muito difícil para quem tem um diagnóstico de câncer de mama, só da suspeita de que você pode estar com a doença é um fator de muito medo, receio e muitas orações para que não seja.

Após as baterias de exames que temos que fazer, até a constatação de que realmente você está com câncer de mama e terá que se submeter a um tratamento longo e que até esta descoberta, ninguém próximo da família tinha passado, foi difícil de entender.

O tratamento envolveu quimioterapia, cirurgia e radioterapia, um universo totalmente desconhecido que se abriu, e a crença de que você está recebendo uma sentença de morte, foi forte, e infelizmente para os casos avançados há o risco sim.

O tratamento de câncer de mama, gera um stress emocional, psicológico e físico em todas as suas fases.

Na quimioterapia tive muitos efeitos adversos, foram o cansaço, ansiedade, taquicardia, perda de cabelos, alteração de paladar, dores no corpo, sangramento nasal, inchaço, escurecimento das unhas e ainda uma flebite nas veias dos braços, e como consequência a colocação do cateter, foi mandatório.

Após 4 ciclos a cada 21 dias e depois 12 ciclos semanais, finalmente passei de fase, e fui para a cirurgia, uma nova bateria de exames é necessário, mamografia, ressonância magnética, e marcação pré-cirúrgica, roll mais pesquisa de linfonodo sentinela, entre outros.

Ao termino dos exames, verifiquei os laudos dos exames, vi que o parecer constava uma perda da definição do nódulo, devido a boa resposta ao tratamento, porém o roll mais pesquisa de linfonodo sentinela apresentou linfonodo sentinela na axila direita, confesso que na época, diante de um quadro tão debilitada, emocionalmente tão desgastada que só processei a boa notícia que houve uma perda da definição do nódulo.

Fui submetida a cirurgia conservadora de mama no quadrante superior direito, mais axila e reconstrução de mama direita, ocorreu tudo ótimo, ao final da tarde estava sendo liberada, recebi as orientações do meu mastologista quanto aos cuidados pós-operatório, como não molhar, como trocar o curativo, não dirigir e descansar e após uma semana retornar para a retirada dos pontos, e medicação caso houvesse dor e aguardar a biópsia pós cirúrgica.

Após aproximadamente 21 dias após a cirurgia, retornei junto a minha médica oncologista com o resultado da biopsia onde este apresentou uma massa residual de aproximadamente 2,8 x 2,0cm e com um linfonodo contendo micro metástase de 1mm.

Neste momento, diante de uma biopsia tão diferente dos resultados dos exames de imagem, foi uma segunda onda de medo, revolta, depressão, e desconfiança com relação ao tratamento.

Quando iniciei, os exames apontavam algumas divergências com relação ao tamanho no nódulo, mas a dimensão maior do nódulo foi de 3,3 cm mais lesões satélites periféricas, apresentando um total de 4,1 cm e com linfonodo de 2,3 cm.

Para quem estava esperando uma resposta clinica completa, foi muito difícil entender a situação e para meu desespero chegou a ser cogitado uma possibilidade de novo esvaziamento axilar, isto é uma nova cirurgia.

Este foi o período mais difícil do que o próprio de diagnóstico de câncer em si, afinal tinha feito todo o tratamento, seguindo à risca todas as recomendações médicas, consultas durante o tratamento com o mastologista, oncologista, nutricionista, clinico geral, cuidando da alimentação, fazendo os exames de sangue para acompanhamento da imunidade, no momento tive a impressão que todo o esforço que fiz, o apoio da família, o senso de urgência que levei todo o tratamento para que quando mais rápido fosse, mais cedo ficaria livre da doença, não tinha adiantado de nada.

Na consulta com o meu mastologista, onde eu externei toda a minha apreensão, nervosismo e por que não o desespero diante desta situação, foram discutidos os prós e contras em se fazer uma nova cirurgia ou fazer a opção pela radioterapia, onde na qual fiz a opção pela radioterapia.

E por último a radioterapia, este com certeza foi a fase mais tranquila, foram 33 sessões de radioterapia, todos os dias da semana, mas nesta fase os cabelos já começam a retornar, o cansaço já não é tanto, os horizontes começam a melhorar, porém temos que ter todo o cuidado como de não usar desodorante, loção corporal, a radioterapeuta pode indicar algum creme para as irritações na pele caso haja, e não pegar sol na região.

Faz dois anos que acabei a fase mais aguda do tratamento, hoje faço uso do medicamento anastrazol, uma quimioterapia oral, onde ele traz uma série efeitos colaterais, como dores no corpo, os fogachos são bem frequentes, problemas como osteopenia e artrose.

Foi um período dificílimo que passei e sei que todos os pacientes que são diagnosticados de câncer passam, mas sei que hoje posso dizer que sou grata a família por todo o apoio que me deram, lembro de uma frase da minha sobrinha para me acalmar “Tia é só uma fase”, hoje vejo que tudo isso que passamos faz parte da vida, não acredito que para todo o nosso sofrimento, seja uma forma de castigo, isto é impor um sentimento de culpa que não existe, entendo que faz parte da vida seja na saúde/doença, no amor/família, no dinheiro/trabalho termos algum tipo de problema, é nos momentos mais difíceis de nossa vida que a passamos a nos questionar, pois estamos mais vulneráveis, o importante é como lidamos o que aprendemos e como saímos diante da dor e do sofrimento, para olharmos para frente e distinguir o que realmente importa nas nossas vidas e nas pessoas que amamos.

Agradeço aos médicos pela competência, paciência, carinho e dedicação que todos têm pelos seus pacientes, e pela oportunidade de poder me expressar através deste depoimento, e agradeço a Deus que me deu e dá todo dia a oportunidade de estar compartilhando muitos outros bons momentos que tenho vivido.

O caminho não é fácil, mas todo o caminho percorrido valeu a pena!

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