Sandra Kiyomi Nakakura

Eu venci o Câncer de Mama!

Sanrda Kiyomi Nakakura

Realizo check up anualmente e foi durante o deste ano de 2020 que foi detectado que um nódulo na mama direita havia evoluído da categoria BI-RADS 2 para BI-RADS 4, o que já indica suspeita de malignidade. Minha ginecologista me tranquilizou afirmando que era uma suspeita e que, por protocolo, solicitaria uma core biópsia para termos certeza, mas que paralelamente eu deveria agendar consulta com um mastologista.

Fiz o exame e estava tranquila, pois a possibilidade de câncer de mama era algo distante na minha cabeça, pois sempre o associei a hereditariedade e não há nenhum caso na minha família. Só depois descobri que na maior parte dos casos não há relação com hereditariedade. Não tenho o hábito de abrir resultados de exames, mas naquele caso precisava baixar o laudo pela internet, pois teria consulta com mastologista na manhã seguinte. E ao ler as palavras “carcinoma ductal microinvasivo” e “infiltração neoplásica” meu coração gelou. Comecei a pesquisar na internet e fui ficando desesperada pensando “isso não está acontecendo comigo…”

Fiquei arrasada e mal consegui dormir naquela noite. Na manhã seguinte fui à consulta com o mastologista que confirmou o câncer de mama e tentou me tranquilizar afirmando que eram dois tumores pequenos no estágio inicial com possibilidade de cura de 95%.

Explicou que seria necessária uma cirurgia conservadora de mama, ou quadrantectomia, que é a remoção dos tumores com uma margem de segurança, preservando a maior parte possível da mama. Agendariamos a cirurgia tão logo ficassem prontos os exames pré cirúrgicos. Quando os resultados ficaram prontos fomos surpreendidos pela pandemia do Covid-19. O mundo parou naquela semana! O mastologista, que fazia parte do grupo de risco, não estava mais atendendo e eu não conseguia mais falar com ele. E agora? Respirei fundo e rezei. Estava no escritório quando encontrei um colega que é da área médica. Contei meu caso e ele imediatamente passou o contato de outro mastologista, que por sua vez aceitou me atender na manhã seguinte.

O novo mastologista concordou com a recomendação do anterior, mas ao ver as imagens do exame pediu uma ressonância magnética para tirar a dúvida de um terceiro ponto que poderia ser outro nódulo ou apenas um trauma provocado pela agulha da biópsia realizada dias antes. O terceiro ponto era outro nódulo e por precaução ele decidiu mudar o tipo de cirurgia para uma adenomastectomia, que é a retirada de toda glândula mamária, a fim de evitar a possibilidade de encontrar novos nódulos dali a 6 meses.

Explicou que a cirurgia contaria também com um patologista que faria biópsia do linfonodo sentinela, que é uma técnica na identificação de metástase ou não nos linfonodos da axila e que seriam retirados para exame anatomopatológico e imunohistoquímico. Na mesma cirurgia seriam colocadas próteses na mama direita e na oposta para simetrização. Ele ia explicando tudo de forma clara e segura o que foi me tranquilizando e me dando confiança. Cirurgia agendada para dali 6 dias! A cirurgia correu dentro do esperado e fui para casa na manhã seguinte com um dreno em cada mama, receita de antibiótico, anticoagulante e analgésico.

Moro sozinha, mas durante o mês seguinte à cirurgia minhas duas irmãs se revezaram e ficaram no meu apartamento para me ajudar, pois não podia levantar os braços e carregar peso. Nos primeiros dias precisava de ajuda para deitar, levantar, tomar banho, me vestir e esvaziar os drenos, que foram retirados na semana seguinte. Na consulta pós cirurgia soube que dos 6 linfonodos retirados para biópsia, somente 1 resultou positivo, o que era boa notícia, pois significava que não precisaria de outra cirurgia para esvaziamento axilar. Mastologista indicou uma oncologista para iniciar próxima etapa do tratamento, indicou fisioterapia para recuperar os movimentos do braço direito e solicitou consulta com radioterapeuta.

Como no meu caso eram tumores receptores hormonais positivos, a oncologista recomendou hormonioterapia por 7 anos para ajudar a reduzir o risco da recidiva, o que na prática é tomar um comprimido por dia para evitar produção de estrógeno. Foi feito um exame genético do material retirado na cirurgia que deu um prognóstico de que uma quimioterapia não teria benefício significante no meu caso. E junto com a oncologista optamos somente pela hormonioterapia.

A fisioterapia foi um divisor de águas, pois me ajudou a recuperar os movimentos do braço quase que totalmente em algumas sessões. O radioterapeuta recomendou 15 sessões de radioterapia. Foram sessões diárias de segunda à sexta e na terceira e última semana comecei a ter alguns efeitos colaterais como enjoo e vermelhidão na área que recebia a irradiação. O enjoo passou dois dias depois do fim da radioterapia e a vermelhidão foi sendo substituída por uma mancha mais escura que de acordo com o médico desaparecerá em alguns meses. Os últimos meses foram de altos e baixos (mais altos que baixos), mas escolhi enfrentar a doença com confiança, fé e positividade.

E para manter meu equilíbrio durante essa jornada escolhi enfrentar uma etapa por vez, sem pensar no E se…., sem ficar fazendo pesquisas intermináveis na internet e, principalmente, depositando minha total confiança na equipe médica que me assistiu.

A meditação e a religiosidade ajudaram aquietar e serenar meus pensamentos. O apoio e amor incondicional de minha família foram fundamentais, especialmente de minhas incansáveis irmãs, que me carregaram no colo durante os momentos de tristeza e incertezas, mas também comemoraram comigo o sucesso do tratamento. E mesmo em tempos de pandemia e isolamento social, o carinho e suporte dos amigos chegaram através de videochamadas, mensagens, flores e orações.

É com alegria e gratidão que posso afirmar que Eu Venci o Câncer de Mama! Cinco meses se passaram desde o dia em que senti o chão se abrir sob os meus pés ao receber o diagnóstico de câncer de mama até hoje, quando posso dizer: vida normal!

Sandra Kiyomi Nakakura – 53 anos

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