Heriana Rosendo de Queiroz Falcão

É preciso desmistificar o diagnóstico de câncer, pois o preconceito ainda é um estigma muito grande. Luto por isso!

Heriana Rosendo de Queiroz Falcão

Olá! Me chamo Heriana e fui diagnosticada em janeiro de 2017 aos 36 anos, com câncer de mama triplo negativo.

Estava desmamando meu filho de 1 ano e no momento do diagnóstico, a sensação foi de que o chão se abriu, fiquei sem acreditar, perdi o ânimo e nada fazia sentido…como eu poderia estar “doente” se eu não tinha “sintomas”? Era um pesadelo para mim e minha família, pois há 20 anos, perdi minha mãe tão jovem de câncer de mama. Desvincular as histórias era difícil, não enxergava o fato de a medicina ter evoluído tanto na área oncológica. Mas Deus foi muito misericordioso comigo e me mostrou que é preciso confiar. Fui amparada por minha família, amigos e toda uma rede de apoio: médicos enviados por Deus e toda uma equipe sensacional. Fiz amizades para a vida, dessa nova realidade que eu me encontrava, a oncológica. Os médicos e pessoas que foram pouco a pouco surgindo na minha vida como mágica, tudo foi se encaixando, acalmando. A partir daí, uma força que não sei explicar surgiu em mim e o tratamento seguiu. Foram 16 sessões de quimioterapias, mastectomia bilateral e reconstrução mamária, 28 sessões de radioterapia, inúmeros exames de sangue e imagem. Deixei de lado minha vida social e precisei adiar sonhos e planos. Minha maior preocupação era sobreviver. Foquei no tratamento. Comecei então a viver um dia de cada vez e a comemorar as pequenas conquistas, que eram grandes!

Ganhei amigas que nunca na vida imaginaria ganhar. O câncer tem dessas, leva algumas coisas como os cabelos, os seios, sobrancelhas e cílios, mas no final o saldo é positivo, pois o ganho é muito maior: de amizades e evolução espiritual. Fiz amigos para a vida: chorei, sorri, senti medo, senti dor, mas eu superei, venci! A sensação foi de que renasci, como uma borboleta através do processo de metamorfose. Sou uma nova pessoa, ressignificada. Aprendi em pouco tempo o que levaria anos para entender. Sobre a vida profissional, por conta do tratamento que é intenso, precisei me afastar. Após um ano, ao retornar, fiquei ansiosa, com receio de não conseguir dar conta, de não ter a mesma energia, de sofrer preconceito, porém fui recebida com amor, respeito e cuidado por muitos colegas. No retorno, ressurgiu uma Heriana mais segura, renovada e feliz. Iniciei um novo ciclo de vida, pessoal e profissional. Sigo confiante de que tudo sempre dará certo. Não é fácil, pois são muitas cicatrizes físicas e emocionais, mas com a cabeça erguida continuo, pois a vida é uma evolução. Sigo com exames de acompanhamento a cada 6 meses. Analisando tudo, entendo que o câncer foi uma espécie de segunda chance.

Faço exercícios, o que é fundamental, para qualidade de vida. Tenho muita fé em Deus e faço minha parte, com os acompanhamentos médicos e exames em dia, trabalhando a cabeça e cuidando do corpo e do espírito. Rezo e torço para que todas as pessoas que enfrentam esse diagnóstico, consigam superar, se reinventar e acreditar que é possível atravessar o deserto. O que ficou disso tudo foi gratidão: a Deus, a vida, às pessoas, a quem tanto me ajudou e especialmente a quem já passou por este diagnóstico, pois só sabe mesmo quem passa. Minha missão além de tantas outras, é ajudar como fui ajudada por tantas histórias lindas que me inspiraram, abraços acolhedores, que deram força para me reerguer e crer. Dos conselhos que eu poderia dar, diria: viva a vida, seja feliz, seja grato, tenha fé, trabalhe, viaje, perdoe, se cuide! Preste atenção no seu corpo, ele dá sinais. Cuide dele, é nosso templo sagrado. Veja sempre o lado positivo das situações que a vida nos apresenta. É preciso desmistificar o diagnóstico de câncer, pois o preconceito ainda é um estigma muito grande. Luto por isso!

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