Medicamento aumenta tempo de vida de pacientes com câncer de mama avançado

Estudo Monaleesa-7 foi apresentado no Congresso da ASCO (American Society of Clinical Oncology), maior evento de Oncologia Clínica mundial

O medicamento Ribociclib, quando utilizado junto com hormonioterapia, foi capaz de aumentar o tempo de vida de pacientes na pré-menopausa com câncer de mama avançado, segundo estudo apresentado no maior Congresso de Oncologia Clínica do mundo.

O principal objetivo de um medicamento utilizado no combate ao câncer é proporcionar um aumento no tempo de vida da paciente, ou seja, o paciente que utiliza o remédio viverá mais do que aquele que não utiliza.

Infelizmente, nem todos os medicamentos conseguem atingir este objetivo. Por vezes ele consegue aumentar o tempo que o paciente permanecerá sem sinais ou sintomas da doença, mas não modificando o tempo de vida que resta. O termo científico para isso é: sobrevida livre de doença.

Para exemplificar: imagine duas pacientes diagnosticadas com uma lesão avançada de câncer de mama (metástase a distância) em junho de 2019. A paciente X irá utilizar o remédio “tradicional” e ficará livre de sintomas por 6 meses, mas irá falecer no final de 18 meses. A paciente Y utilizará o remédio “novo” e ficará livre de sintomas por 12 meses, porém irá falecer nos mesmos 18 meses. O medicamento novo não prolonga a vida dela, mas faz com que ela fique mais tempo sem sintomas. O medicamento novo aumenta a sobrevida livre de doença, mas não prolonga a sobrevida global (termo utilizado para aumento do tempo de vida).

O estudo Monaleesa-7, apresentado no Congresso da ASCO (American Society of Clinical Oncology), maior evento de Oncologia Clínica mundial, em maio de 2019, demonstrou que a adição de uma droga denominada Ribociclib (um inibidor de CDK4-6) à terapia hormonal em pacientes na pré-menopausa foi capaz de aumentar significativamente a sobrevida global das pacientes.

O estudo avaliou 672 mulheres na pré-menopausa com lesões avançadas. Elas apresentavam receptores hormonais positivos e HER-2 negativo (o grupo mais comum da doença). Todas utilizaram uma terapia endócrina injetável denominada goserelina, para quimicamente tornarem-se “pós-menopáusicas”. Além desta injeção, era utilizado algum desses três medicamentos bastante conhecidos de hormonioterapia: letrozol, anastrozol ou tamoxifeno.

Os pesquisadores observaram que, após 42 meses de seguimento, a redução relativa do risco de morte foi de 29% no grupo que utilizou o Ribociclib, quando comparado ao placebo.

“Este foi o primeiro estudo a demonstrar melhora na sobrevida para qualquer terapia alvo, quando utilizado com hormonioterapia, como primeira linha de tratamento em câncer de mama avançado”, segundo a autora principal do estudo, Dra. Sara Hurvitz, da Universidade da Califórnia.

Outros estudos já investigam o papel desta classe de medicamentos (inibidores de CDK4-6) em pacientes com doença de mama inicial e mesma característica de perfil: receptores hormonais positivos e HER-2 negativo.

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