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O que significa carcinoma ductal “in situ” na biópsia da mama?

Para entender o contexto do carcinoma ductal “in situ” (CDIS), primeiro é necessário compreender como é a parte estrutural da mama sadia. Sadia, ela é formada por duas partes: a de sustentação, conhecida como componente estromal; e a glandular, que é responsável pela parte da secreção do órgão (produção de leite).

A parte glandular é composta, de modo geral, por canalículos que se ligam até desembocar no mamilo. Esses canalículos são revestidos por dois tipos de células e circundados por um “reforço” conhecido como membrana basal. Quando um desses tipos de células que revestem os canalículos se multiplicam de forma desordenada, maligna, mas sem ultrapassar esse reforço da membrana basal, origina-se então, o que chamamos de carcinoma intraductal (dentro dos canalículos) ou carcinoma ductal “in situ” (CDIS).

Com início do uso da mamografia para rastreio nos exames de rotina das mulheres com mais de 40 anos, o CDIS passou a representar 20% dos diagnósticos dos tumores malignos da mama. No início da década de 70, a incidência de DCIS era baixa, cerca de 1,87 casos por 100.000 pessoas/ano, e nos últimos anos, aumentou para 32,5 casos por 100.000 pessoas/ano, sendo mais comumente encontrado em mulheres acima dos 50 anos de idade.

A obesidade, histórico familiar, idade mais avançada para se ter o primeiro filho, ausência de filho (nuliparidade), início tardio da menstruação ou da menopausa, assim como a terapia de reposição hormonal pós menopausa, são fatores que podem aumentar o risco de desenvolvimento da doença.  Sua apresentação clínica (sintomas) antigamente era como uma massa palpável na mama e podia gerar secreção ou alteração do mamilo. Agora, 85% dos CDIS são detectados na mamografia, como calcificações específicas e impalpáveis. Ou seja, sem sintomas específicos. (Lembrar que há lesões benignas na mama, que também microcalcificações no exame de imagem).

Ainda há necessidade de muito estudo para entender melhor sobre o CDIS, mas o que se sabe é que se trata de uma doença heterogênea, que pode ou não evoluir para o carcinoma invasivo. O fato de a mulher apresentar essa neoplasia, pode representar um risco aumentado para o desenvolvimento da forma invasiva. (Carcinoma invasivo, aquele que ultrapassou a barreira/membrana basal e acometeu o estroma da mama, pode infiltrar vasos, cair na corrente sanguínea e levar células malignas para outros órgãos como fígado, pulmão, ossos, cérebro – conhecido como metástase)

Como é feito o diagnóstico?

Alterações específicas, vistas nos exames de imagem, levam à realização de uma biópsia pelo radiologista ou ginecologista. O material retirado dos fragmentos dessas áreas alteradas é encaminhado para o médico patologista, que é o responsável por descrever as características das células neoplásicas observadas em análise microscópica.

Essas características descritas no laudo anatomopatológico, associadas a diversos outros fatores como, por exemplo, o tamanho da lesão na imagem, tamanho da lesão em relação ao tamanho da mama, norteiam o médico assistente sobre qual melhor tratamento para paciente, que podem ser uma cirurgia conservadora ou mais ampla, radioterapia, hormônio terapia etc.

A sobrevida das mulheres com CDIS é excelente, com mortalidade quase zero nos casos em que há apenas essa doença na mama da paciente. Estudos recentes mostram que pacientes com mais de 50 anos que são diagnosticadas com essa doença apresentam o mesmo risco de morte comparada ao da população feminina geral que não possuiu a doença.

Por que tratamos a doença?

A importância de se tratar o CDIS é que não se sabe exatamente quais dessas pacientes evoluirão para neoplasia invasiva e quais não evoluirão. Pacientes com lesões grandes, extensas, observadas pelo exame de imagem, podem “esconder” focos de componente invasivo ou até micro invasivo e, por isso, deve haver análise minuciosa para traçar a melhor terapia.

Outro ponto importante que faz com que as pacientes sejam e acompanhadas após tratamento é o de que 10% das mulheres poderão ter recidiva da neoplasia, sendo 50% dessas recidivas de forma invasora.

A maior lição diante de todas essas informações é que estilo de vida, visitas regulares ao médico de confiança e exames de rotina em dia são primordiais para diagnóstico de lesões precoces e são, de longe, a melhor forma de se obter êxito para qualquer tipo de problema de saúde, inclusive para o carcinoma ductal “in situ”.

Texto escrito por:

Dra. Gerusa Biagione Tiburzio

Médica Patologista – Rede D´OR/São Luiz – São Paulo -SP
Diretora de Comunicação da Sociedade Brasileira de Patologia
https://www.linkedin.com/in/gerusa-biagione-tiburzio-a6330441

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