OLAPARIBE

O OLAPARIBE é um medicamento da classe dos inibidores de PARP, atualmente utilizado em tumores de mama, ovário e pâncreas, e mais uma opção de “terapia alvo” em oncologia. Sua ação é inibir uma enzima que repara os defeitos no DNA, levando à morte da célula tumoral. Em câncer de mama é indicado para pacientes que nascem com uma mutação no gene BRCA.

Olaparibe

O que é o OLAPARIBE?

O OLAPARIBE é um medicamento da classe dos inibidores de PARP, um dos tipos de “terapia alvo” em oncologia. Conceitualmente, este tipo de tratamento tem o objetivo de inibir pontos específicos que levam ao crescimento da célula tumoral, gerando menos efeitos nas células normais e, consequentemente, menos eventos nocivos. A PARP é uma enzima presente em todas as células do organismo. Sua função é promover reparo dos danos que vão ocorrendo no DNA no decorrer do tempo. Através do OLAPARIBE é possível impedir que estes reparos aconteçam na célula cancerígena, levando à sua morte.

O OLAPARIBE tem maior efeito nas pacientes que apresentam uma mutação genética hereditária chamada BRCA, que pode ser passada de pais para filhos. Este gene também é responsável pelo reparo do DNA nas células normais, e quando ele é ausente ou mutado, o(a) paciente tem maior predisposição a desenvolver alguns tumores, incluindo câncer de mama. A associação de mutação no BRCA + OLAPARIBE causa múltiplos defeitos no DNA e consequente morte das células tumorais.

Quais os nomes comerciais e formas de aplicação do OLAPARIBE?

O OLAPARIBE ainda não pode ser encontrado como medicamento genérico ou similar. Seu nome comercial é LYNPARZA® (original), comercializado pela indústria farmacêutica AstraZeneca.

A medicação é vendida na forma de comprimidos revestidos de 100mg e 150mg, ou em cápsulas de 50mg, que são tomados por boca (via oral). A formulação em comprimidos é mais utilizada na prática e as apresentações não são intercambiáveis.

Quais são as indicações do OLAPARIBE?

O OLAPARIBE está aprovado no Brasil para pacientes com câncer de mama com metástases, que sejam HER2 negativas, já previamente tratadas com algum tipo de quimioterapia e hormonioterapia no decorrer da doença e que tenham mutação no gene BRCA germinativa (ou seja, hereditária).

O OLAPARIBE está aprovado pela ANVISA para pacientes com câncer de ovário de alto grau recém diagnosticado, como tratamento de manutenção após resposta a quimioterapia, isolado em pacientes com mutação do BRCA, ou em associação com uma medicação venosa chamada Bevacizumab. Pode ser usado também como tratamento de manutenção em câncer de ovário recidivado, naquelas que respondem à quimioterapia com platinas, independente da mutação no BRCA. Além disso, seu uso está aprovado no Brasil para pacientes com câncer de pâncreas e mutação de BRCA.

Em outros países, o OLAPARIBE também pode ser usado em pacientes com câncer de próstata.

Quais são os principais efeitos colaterais do OLAPARIBE?

O OLAPARIBE apresenta alguns efeitos colaterais que podem influenciar a qualidade de vida, tais como fadiga, inchaços, enjoos, vômitos, diarreia e dores de cabeça. Nos exames de sangue podem ser observados anemia, alterações nas plaquetas e nos glóbulos brancos. Entretanto, os efeitos graves são menos frequentes do que com a maior parte das quimioterapias. Os mais preocupantes são inflamações nos pulmões e leucemias, que felizmente são raros.

O OLAPARIBE não deve ser usado em pacientes grávidas e deve-se ter cuidado com pacientes com alteração da função dos rins. Além disso, o OLAPARIBE pode interagir com diversos medicamentos que são metabolizados no fígado. O(a) paciente deve sempre informar seu médico sobre as medicações que faz uso.

CONCLUSÃO: O OLAPARIBE é uma medicação que atua como bloqueador de uma enzima importante na correção de defeitos do DNA, levando à morte das células tumorais e menos efeitos nocivos à células normais. O OLAPARIBE está indicado para pacientes com câncer de mama já tratadas com quimioterapia e hormonioterapia e que tenham nascido com a mutação do gene BRCA. Apesar de ser uma medicação relativamente segura, podem existir efeitos colaterais graves e o paciente deve ser monitorado de perto, sendo assim, seu uso só deve ser feito após prescrição médica.


Autores:

  • Mariana Ribeiro Monteiro CRM 194.301
    Oncologista Clínica formada pelo Instituto Nacional do Câncer Pesquisadora do Instituto COI São Paulo.

    Instagram:
    @dra.mariana.monteiro
    LinkedIn: Mariana Monteiro
Compartilhar