Carcinoma ductal in situ

Uma patologia responsável por 20% dos novos casos de câncer de mama.

É um tipo de lesão pré-cancerígena que atinge a mama. A recomendação é de retirá-lo, através de cirurgia, para que não evolua para um câncer de mama. Geralmente o tratamento também inclui radioterapia e hormonioterapia. Com isso, a chance de cura é superior a 98%.

O carcinoma ductal in situ, ou CDIS, é formado por células cancerígenas dentro do ducto mamário. A lesão é considerada pré-cancerígena enquanto as células malignas estão dentro do ducto mamário e passa a ser considerada câncer quando acontece o rompimento deste ducto.

Na década de 80, foram realizadas pesquisas em mulheres com carcinoma ductal in situ que não receberam nenhum tratamento. Após 20 anos, a metade delas desenvolveu câncer de mama.

Estudos mais recentes, com lesões menores e detectadas pela mamografia, mostraram que as mulheres com carcinoma ductal in situ têm o mesmo risco de morte por câncer de mama que mulheres sem a doença.

Normalmente, o carcinoma ductal in situ não apresenta sintomas. A imagem mais comum detectada na mamografia são microcalcificações irregulares, caracterizadas como BIRADS™ 4. O diagnóstico é confirmado por exame anatomo-patológico de fragmentos da lesão obtidos por biópsia percutânea (uma punção na pele para acessar os órgãos internos e tecidos). O primeiro passo após o diagnóstico é a cirurgia.

A cirurgia do carcinoma ductal in situ deve retirar toda a doença e deixar margens livres, ou seja, áreas de tecido saudável ao redor como proteção. Sempre que possível opta-se pela cirurgia conservadora da mama (quadrantectomia), porém em lesões extensas a mastectomia pode ser mais recomendada.

Normalmente, não há necessidade de retirada de linfonodos (gânglios linfáticos), mas algumas pacientes podem ter indicação de biópsia de linfonodo sentinela, principalmente aquelas com lesões extensas ou na forma de nódulo.

As pacientes que foram submetidas à cirurgia conservadora da mama devem fazer radioterapia posteriormente. Pesquisas demonstraram que a radioterapia diminui pela metade o risco de novo episódio da doença (recidiva). O controle das recidivas é particularmente importante, pois quase metade das vezes a doença já reaparece na forma de câncer (carcinoma invasor).

Algumas pesquisas tentam selecionar grupos de pacientes que podem evitar a radioterapia. No passado, separaram as pacientes pelas características clínicas, mas os resultados foram ruins. Atualmente, a alternativa mais promissora para confirmar a necessidade da radioterapia é a análise genética do tumor, através de assinatura genética (Oncotype® Breast DCIS). Essa alternativa é para confirmar ou não a necessidade de radioterapipa?

Além da radioterapia, outro tratamento preventivo é o bloqueio hormonal, também conhecido como hormonioterapia. Cerca de 90% dos casos de carcinoma ductal in situ são dependentes de hormônios femininos (estrógeno e progesterona). Medicações que bloqueiam a ação destes hormônios diminuem em 30% a 50% a chance de recaída. Os medicamentos mais comuns são o tamoxifeno e os inibidores de aromatase (anastrozol, letrozol ou exemestano).

Apesar de algumas teorias sugerirem que alguns casos de carcinoma ductal in situ podem ser tratados apenas com bloqueio hormonal, ainda não existem pesquisas conclusivas sobre a segurança oncológica desse tratamento.

Sendo assim, recomenda-se o tratamento convencional. Afinal, as mulheres tratadas adequadamente têm excelente evolução, com chances de cura superiores a 98%.

Autores:
Guilherme Novita – São Paulo/SP – CRM-SP: 97.408
Eduardo Millen – Rio de Janeiro/RJ – CRM-RJ: 5263960-5
Felipe Zerwes – Porto Alegre/RS – CRM-RS: 19.262
Francisco Pimentel Cavacante –Fortaleza/CE – CRM-CE: 7.765
Hélio Rubens de Oliveira Filho – Curitiba/PR – CRM-PR: 20.748
João Henrique Pena Reis – Belo Horizonte/MG – CRM-MG: 24.791

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