Egle Cecconi Paschoal

Eu venci o Câncer de Mama!

Egle Cecconi Paschoal

Eu sempre fui cuidadosa com minha saúde, então em outubro de 2013, aos 40 anos de idade, fazendo auto exame percebi um nódulo bem pequeno na minha mama direita. Fiz ultrassom e o laudo recomendou a realização de biópsia com agulha grossa, já que apontava bi-rads 4. Porém, o ginecologista entendeu que não era necessário. Fiquei tranquila.

No entanto, fui percebendo que o pequeno nódulo estava crescendo. Em 2014 realizei novamente exames, o médico analisou e disse que estava tudo bem. Mas eu insisti que o caroço já não era mais tão pequeno. Havia crescido muito.

Assim, realizei biópsia por agulha fina em abril de 2015 quando também já sentia um nódulo na minha axila direita.

O resultado da bióspsia foi inconclusivo, então realizei a core-biopsy no início de junho de 2015 e recebi o resultado em casa no dia 12 do mesmo mês.

]Porém, apenas no dia 21 de junho de 2015, um domingo, no final da tarde, resolvi abrir o resultado, que foi: “neoplasia maligna”. Neste momento eu me senti morta. Pensei nos meus 03 pequenos filhos, na época com 07, 05 e 03 anos de idade, no meu marido, na minha mãe e todos que me cercavam, enfim, numa vida que eu gostaria e viver e não poderia vivê-la.

Chorei muito. Me recuperei e liguei para minha irmã mais velha. Ela me acolheu e me trouxe palavras de conforto e ânimo.

Depois foi um sofrimento ter que contar para o meu marido, para minha mãe, família e amigos.

A partir daí comecei a busca por médicos e tratamentos.

Decidi que eu queria viver, então pedi a Deus forças para enfrentar tudo que fosse necessário. E, junto comigo, eu tive além da minha família muitos amigos que oraram por mim e caminharam juntos de diversas formas.

Deus foi tão bom que colocou o meu mastologista na minha vida. O otimismo dele me ajudou a caminhar com mais alegria.

Ele informou o procedimento a ser realizado no meu caso: adenomastectomia bilateral e na mesma cirurgia colocação das próteses. Confesso que foi um alento saber que embora eu fosse perder as mamas, teria as prósteses colocadas imediatamente.

O meu oncologista também foi colocado por Deus na minha vida, prescreveu um tratamento eficaz no combate ao câncer.

Contei para os meus filhos que eu estava com câncer. Momento difícil.

No dia 05 de agosto de 2015 iniciei as sessões de quimioterapia. Foram 4 sessões da quimio vermelha e 12 sessões da quimio branca.

Coloquei o catéter que auxiliou a ministração da quimioterapia, pois, a medicação enfraquece as veias.

Após a primeira sessão só fiquei um pouco sonolenta, mas no dia seguinte fui trabalhar normalmente, mas no terceiro dia minhas forças se esvairam. Eu me sentia fraca, sem condições de levantar, sem vontade de comer, o estômago revirado, enfim, nunca tinha vivido um dia como aquele.

Passado o fim de semana, na segunda-feira já estava ótima e pronta para trabalhar novamente.

Após exatos 15 dias da data da primeira quimioterapia meus cabelos começaram a cair. Foi um segundo luto. Eu sou vaidosa. Decidi que não iria ficar careca. Então, meu cabelo foi raspado (eu não me vi careca) e coloquei uma prótese capilar idêntica ao meu cabelo. Isto me deu mais auto confiança.

Sou professora universitária e apenas meu coordenador e 03 colegas de trabalho souberam da doença.

Durante todo o tratamento não me afastei do trabalho. Fazia bem para mim, já que gosto do que faço.

Com o fim da quimioterapia vermelha o cabelo já voltou a crescer. Foi a vida se renovando.

Encerrei as sessões de quimioterapia no dia 05 de fevereiro de 2016. Então, me afastei das atividades laborais. Fui submetida à cirurgia para retirada das mamas no dia 09 março do mesmo ano. A cirurgia foi um sucesso, tanto pelo trabalho realizado pelo meu mastologista quanto pelo mastologista plástico, e, o tratamento de quimioterapia também foi um sucesso, já que não sobrou praticamente nada do câncer.

Uma semana após a cirurgia iniciei as sessões de fisioterapia que me ajudaram a retomar meus movimentos rapidamente.

Em abril de 2016 iniciei o tratamento com medicamento via oral (por 10 anos) e uma injeção a cada três meses.
No início de junho iniciei minhas sessões de radioterapia (foram 33 sessões), finalizando em julho de 2016.

Precisei tomar medicamento para os ossos, pois, em razão da medicação para combater o câncer eu tive um pouco de perda óssea. Mas, já recuperei. Hoje sigo apenas com a medicação via oral, vitamina de cálcio e atividade física.

Durante todo o tratamento pratiquei atividade física que foi importantíssima para manter meu corpo saudável. E agora mais que nunca a atividade é de suma importância para minha qualidade de vida.

Enfim, foi um tempo de muito sofrimento, mas posso testemunhar que Deus me carregou no colo. A fé faz toda diferença. Foram dias ruins com o corpo não respondendo àquilo que sempre eu fiz. Sofrimento com a queda dos cabelos (embora a grande maioria das pessoas não tenha percebido), todo meu cabelo caiu. Sofrimento por não ter disposição de fazer as coisas corriqueiras do dia-a-dia. Sofrimento por não poder desempenhar todos os meus papéis como sempre fiz. Sofrimento por perceber meu corpo físico sofrendo.

Mas, nunca pensei em desistir do tratamento, porque a vida é um presente que eu ganhei de Deus e quero vivê-la intensamente por longos anos.

Este foi um tempo marcante em minha vida, mas vou levar comigo apenas as boas coisas que pude experimentar, especialmente as pessoas que estiveram ao meu lado. Ganhei amigas para toda vida.

Agora a vida que segue e a mensagem que quero deixar é que vocês mulheres devem se cuidar e fazer exames periodicamente e sempre consultar um mastologista, pois, o quanto antes for detectado o câncer de mama mais promissor e eficaz será o tratamento.

Hoje me sinto uma nova mulher, mais feliz e que quero viver tudo de melhor que Deus pode me proporcionar na vida. A vida pode ser bela, só depende de nós.

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