Erika Diniz

Eu venci o Câncer de Mama!

Erika Diniz

Julho de 2018, estava conversando com minha irmã, contando da viagem que havia feito de férias com meus filhos, e toquei nos seios pois estava sem sutiã , e me incomodava muito, senti um nódulo no seio esquerdo, me assustei na hora, achei ate que era uma picada de inseto, mostrei à minha irmã e minha mãe, e fiquei atenta nos dias seguintes, como não sumiu, marquei uma consulta com ginecologista, para ver o que era.

A ginecologista me encaminhou para exame de mamografia e ultrassonografia, a ultra só pode ser feita após o resultado da mamografia, no meu caso não apareceu nada na mamografia, mas como estava com nódulo palpável, é indicada a ultrassonografia, e foi assim que começou a fase de insegurança, medo, angustia.

Quando fiz a primeira ultrassonografia, apesar de não entender nada, fiquei apreensiva com as marcações feitas, além do nódulo que eu sentia, nas imagens apareceram mais 2 nódulos, retornei a ginecologista, a mesma já solicitou que fizesse uma biopsia, e marcasse uma consulta com um mastologista.

Quando fui fazer a biopsia, já havia feito pesquisa na internet, e são tantas informações, e muito assustadoras, a Dra. que fez minha biopsia, repetiu a ultrassonografia, pois o exame é guiado pelo aparelho, e encontrou mais 2 nódulos além dos 3 do exame anterior.

O exame é feito com anestesia local, mas senti um pouco de dor, creio que por estar apreensiva, assustada. Nesse momento passa tanta coisa na cabeça, sai meio atordoada, dolorida do exame, com um envelope onde tinha a primeira impressão da medica que fez a biopsia. Não abri nesse trajeto do hospital ate em casa. Quando cheguei em casa, contando como tinha sido o exame, abri o documento, estava a possibilidade de ser câncer, em 95%, isso ainda não sabia o resultado da Biopsia, e no primeiro momento bate o desespero.

No dia 06 de setembro de 2018, peguei o resultado da Biópsia, um dia antes de um feriado, parece que o chão se abre e você cai, eram tantos termos que não entendia, mas entendi que estava com câncer.

Saí do meu trabalho, fui a clinica tentar adiantar minha consulta com o mastologista, mas nesse dia não havia nenhum em atendimento. A consulta que eu havia marcado era só para daqui 2 semanas ainda, a recepcionista que me atendeu, foi muito atenciosa, e disse para que eu voltasse na segunda-feira, que ela falaria com o mastologista que estaria atendendo, para encaixar uma consulta, passei o feriado angustiada, pesquisando na internet, e tendo a pior impressão disso tudo, mas segunda retornei para tentar o encaixe.

Fui recebida com muito amor, e respeito, o mastologista me esclareceu tudo com detalhes, me acalmou, e me fortaleceu com esperança de cura. Fui diagnosticada com 2 tipos de câncer,

1 – CARCINOMA LOBULAR INVASOR (carcinoma tipo especial – WHO, 2012) GRAU II DE NOTTINGHAM

2 – CARCINOMA DUCTAL INVASOR (carcinoma tipo não especial – WHO, 2012) GRAU II DE NOTTINGHAM.

A Partir dai fiz muitos exames, cintilografias, ressonância onde apareceu mais 2 nódulos, todos os exames para afastar a possibilidade de metástase, e graças a Deus, não havia. Foi feito estudo, para ver se conseguiríamos reduzir os carcinomas com quimioterapia, mas ambos não respondiam, a saída era fazer a cirurgia, totalizaram 7 nódulos na mama, então teria que retirar toda a mama esquerda. Eu tive apoio em todo o processo, da minha família, meus médicos que foram sempre sérios, e me deixaram a vontade, e esclareceram cada duvida, para mim foi fundamental essa troca medico e paciente, pois toda vez que pensei em cair, estavam ali para me dar esperança da cura.

Dia 18 de outubro de 2018 fiz a cirurgia, foi retirado toda a mama, porem preservado toda a pele e auréola, com reconstrução no mesmo momento. Lembro-me do alivio de acordar, e saber que não tinha mais nada no meu seio. Fiz 3 meses de quimioterapia ainda, é uma fase difícil, e desgastante, os cabelos caíram, tinham dias bons e dias ruins, mas de tudo sempre estive amparada, e sempre confiante que seria curada, mantenho meus exames em dia, faço meu autoexame, reconheci a importância depois que passei por isso. Faço tratamento adjuvante, isso vai de 5 a 10 anos, mas entendo que é para o meu melhor.

Depois de todo o processo de exames, descobertas, cirurgia, quimioterapia, período de recuperação, eu voltei a trabalhar, a viajar, a confraternizar com meus amigos, minha família, deixo para cada uma de vocês, que estão passando por isso agora, não esmoreçam, tenham fé, não é fácil, mas não desistam. Tenho 40 anos, sou mãe de 2 rapazes lindos, e nunca em nenhum momento eu deixei de acreditar na cura.

Com gratidão aos médicos que cuidaram de mim, a minha família que me amparou em todo momento, aos meus amigos que sempre estiveram ao meu lado, sou muito feliz em dizer, Eu venci o câncer de mama!

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