Estudos sobre cirurgia no san antonio breast cancer symposium

Cobertura San Antonio 2018 – Parte 3

A terceira análise feita pelos médicos do portal cancerdemamabrasil.com.br sobre os estudos apresentados no San Antonio Breast Cancer Symposium, o maior evento científico mundial que acontece anualmente na cidade de San Antonio, no Texas (EUA), mostra as abordagens referentes à cirurgia. Confira abaixo.

AMAROS TRIAL

O estudo EORTC AMAROS TRIAL apresentou os resultados colhidos em 10 anos referentes à radioterapia ou cirurgia da axila após linfonodo sentinela positivo em pacientes com câncer de mama. Os pesquisadores randomizaram pacientes com tumores até 5 cm, com axila negativa (T1,T2/N0) e que realizaram a biópsia do linfonodo sentinela e este foi positivo para células metastáticas. Diante do resultado positivo da biópsia do linfonodo sentinela axilar, as pacientes foram aleatorizadas para receber a linfadenectomia axilar clássica ou radioterapia axilar (RTX Axilar).

A partir daí foram incluídas pacientes candidatas à cirurgia conservadora (82%) e também à mastectomia (18%). A idade média das pacientes estudadas foi de 56 anos no grupo cirurgia e 55 na radioterapia. As pacientes que receberam linfadenectomia axilar obrigatoriamente dissecaram os níveis I e II da axila, sendo a dissecção do nível III opcional. Quando detectou-se metástases em mais de 4 Linfonodos axilares, foi permitido radioterapia opcional adicional no grupo da cirurgia axilar. Tanto a cirurgia quanto a radioterapia da axila foram realizadas em até 12 semanas do tratamento inicial. A radioterapia axilar incluiu os níveis I, II e III e porção medial da fossa supra clavicular com dose de 50 Gy (2Gy x 25 frações).

Nos dois grupos, a média de linfonodos sentinelas identificados foi de 2. A presença de macrometástases foi observada em 59.4% das pacientes do grupo cirurgia e 61.5 % no grupo radioterapia. Micrometástases em 28.9% e 28,6% e células tumorais isoladas em 11.7% e 9.8%, respectivamente, nos grupos cirurgia e radioterapia.

No grupo cirurgia (linfadenectomia axilar) em 67.1% não foram observados linfonodos adicionais acometidos, com cerca de 33% de doença residual: 25% das pacientes apresentaram 1-3 outros linfonodos acometidos e apenas 7.8% das pacientes tinham mais de 4 LN comprometidos.

Após 10 anos de seguimento, 7/744 pacientes do grupo cirurgia apresentaram recorrência axilar (taxa de recorrência axilar em 10 anos de 0.93%), comparado a 11/681 no grupo RTX Axilar (taxa cumulativa de recorrência axilar em 10 anos de 1.82%), portanto sem diferença estatística no endpoint primário do estudo que era recorrência axilar. De fato, o número de recorrências foi bem abaixo do estipulado: eram esperados 52 eventos axilares com 5 anos e já com 10 anos foram apenas 18. Também não houve diferença entre os grupos RTX Axilar e Cirurgia quanto à sobrevida livre de doença, (HR: 1,19 , 95% IC: 0.97 -1.46), sobrevida livre de metástases a distância (HR: 1,18, 95%IC: 0.92 -1,50), bem como sobrevida global (HR: 1,17; iC 95%: 0.89 -1.52). A incidência de segundos tumores primários foi maior no grupo radioterapia (12.09%), comparada ao grupo dissecção axilar (8,33%), com HR de 1,45 (IC: 1.03 -2.04), possivelmente por viés.

Quantos aos efeitos colaterais, após 5 anos de seguimento, 24,5% das pacientes tratadas com cirurgia apresentaram linfedema, comparada a 11,9% do grupo tratado com radioterapia axilar. Não houve diferença quanto à função e movimentação do ombro.

Os autores concluíram que a recorrência axilar é um evento raro na atualidade e que tanto a cirurgia de dissecção axilar quanto a radioterapia proveem excelentes resultados no controle loco regional da doença, sem diferenças em sobrevida livre de doença e sobrevida global, porém com significante aumento do linfedema e da necessidade de tratamento do grupo da cirurgia axilar. Portanto, a radioterapia, com campo específico ou mesmo eventualmente em campos tangentes, deve ser a opção preferencial neste cenário.

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