Marina Emilia Fusquine Fontes

Diagnosticada em 2019 com Carcinoma Ductal Invasivo Multicêntrico Luminal A

Marina Emilia Fusquine Fontes

Estou curada do câncer de mama há um ano e sete meses. Conto desde do dia da minha cirurgia porque foi o suficiente para remover o câncer do meu corpo.

Quando recebi o diagnóstico de câncer de mama eu simplesmente não acreditava. Eu não sentia que eu tinha câncer. Mas comecei a agir rápido.

Pensava nas coisas que eu ainda gostaria muito de fazer.

A mais importante delas ainda é fazer o Caminho de Santiago de Compostela, uma peregrinação de aproximadamente 700 km que eu planejava fazer a pé. Eu acreditava que se não fosse o caminho mais difícil (o caminho Francês) eu não conseguiria aprender o suficiente.

A vida te ensina mais quando a lição vem em uma forma que você nunca espera.

Não tem outra forma para descrever o meu diagnóstico senão sorte, (prefiro chamar de chamado bondoso), uma coisa foi levando a outra e graças a Deus eu tive um diagnóstico precoce.

Eram dois tumores na mama direita e os dois eram menores do que 1 cm. O primeiro tumor foi detectado em um exame de rotina, eu estava prestes a fazer 42 anos e eu já tinha a indicação de mamografia. Como não amamentei, as minhas mamas são muito densas e com isso veio a indicação do complemento com a ultrassonografia.

O que aprendi com a minha jornada é que o câncer de mama é uma doença complexa, tudo depende do tipo de tumor, tamanho, localização e tempo.

Me dei conta disso bem rápido e percebi que o primeiro médico que me atendeu tinha um plano muito radical.

Mesmo com muito medo do tempo resolvi procurar outros médicos.

Pedi a Deus que me mostrasse o melhor caminho e o melhor médico para mim. Isso só você pode saber, procure até você se sentir em paz.

Troquei de médico e a minha cirurgia foi um sucesso. A parte irônica é que apesar de ter passado por uma adenomastectomia, hoje eu me sinto mais bonita do que nunca e me arrumo muito mais.

O câncer me ensinou a ser bondosa comigo mesma, e não consigo mais me criticar e me cobrar como eu fazia no passado. E quando eu fizer o Caminho de Santiago será o mais fácil e provavelmente farei de ônibus. Dizem que a mágica dessa peregrinação está no alinhamento das estrelas que cobrem o caminho, e não no sofrimento de uma longa caminhada.

Hoje eu faço hormonioterapia e terei que fazer por pelo menos cinco anos. Minha adaptação não tem sido fácil. No entanto, eu escolho a vida todos os dias, tomo a minha medicação, faço meus exercícios e agradeço a Deus por tudo que tenho, do jeito que eu tenho.

E assim será o meu caminho seja na vida, ou no Caminho de Santiago de Compostela.

Sempre respeitando as minhas limitações e fazendo o melhor que posso com as oportunidades que tenho.

Adaptação é a palavra chave. E a certeza que existe uma força maior que nos guia diariamente.

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