Novos tratamentos e procedimentos no câncer de mama não serão incorporados no roll da ANS

Novos tratamentos e procedimentos no câncer de mama não serão incorporados no roll da ANS.

Frequentemente, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) avalia a incorporação de novas tecnologias, tratamentos e procedimentos, no manejo de diversas doenças. Alguns medicamentos e um novo teste no tratamento do câncer de mama não serão integrados no roll da ANS, segundo anúncio no último dia 10.

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) é o órgão responsável por recomendar novas tecnologias (tratamentos e procedimentos, como exames) na lista de arsenal disponíveis para o manejo de diversas doenças pelos planos de saúde. Em geral, consultas públicas são realizadas antes da emissão de um parecer final. Algumas terapias orais e um novo exame no câncer de mama foram recentemente avaliados pela agência e infelizmente não serão incorporados, a princípio, segundo anúncio no último dia 10, semelhante à uma análise preliminar previamente publicada.

O uso de terapias orais para o câncer de mama metastático já estão disponíveis em vários países ha alguns anos: os chamados “inibidores da ciclina” (palpociclibe, ribociclibe e abemaciclibe) são medicamentos utilizados no câncer de mama harmônio positivo em primeira e segunda linha e o olaparibe, um inibidor oral de uma enzima do DNA do tumor, usado em pacientes portadoras de mutações BRCA, foram avaliados para incorporação. Essas novas terapias trazem resultados significativos quando utilizados em cenários específicos, segundo vários estudos randomizados. Infelizmente, apenas o ribociclibe e o abemaciclibe, em segunda linha, terão recomendação positiva da ANS.

Outra tecnologia analisada pela agência foi o teste genômico de 21 genes (oncotype) na avaliação de mulheres com câncer de mama inicial, com o intuito de indicar ou não quimioterapia. Este exame também já e prática rotineira ha mais de uma década em outros países e também não será incorporado no roll.

Discordamos da decisão da ANS em não incorporar terapias/procedimentos já consagrados na prática clínica em diversos países.

Compreendemos o impacto financeiro da incorporação de novas tecnologias para as operadoras de saúde. Entretanto, essas novas ferramentas trazem benefícios importantes para muitas mulheres com câncer de mama. Será uma oportunidade perdida ao não recomendar tais tecnologias.

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